360

11 02 2009

“Se alguém tira do papel um projeto do arquiteto Isay Weinfeld, a paisagem paulistana muda. E para melhor, diga-se. Deve ocorrer o mesmo no Alto de Pinheiros assim que terminar a construção do edifício residencial 360 Graus, que desbancou 300 concorrentes de todo o mundo no prêmio Future Projects, da revista inglesa The Architectural Review. A construção da torre de 22 andares começa em junho e deve demorar dois anos. A estrutura será erguida sobre pilotis de 11 metros de altura para ficar com um vão livre, como o do Masp, e terá um espelho-d’água. O apartamento mais caro custará 1,9 milhão de reais. “Cada um deles será como uma casa suspensa, com vista panorâmica e quintal particular”, diz. “Quem sabe agora as construtoras troquem aqueles horrendos prédios neoclássicos por um bom estilo contemporâneo.”

Fonte: Veja São Paulo

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Um Teto Para Meu País

30 07 2008

A Jennifer Liao está fazendo arquitetura na FAU, e ela veio fazer um estágio durante o mês de julho aqui no nosso escritório.

Ela faz parte desta ONG ( http://www.untechoparamipais.org ), e a época da construção aconteceu durante sua estadia na Arquitetura Paralela. Pedimos para ela nos contar um pouco mais sobre a sua experiência:

 

“Um teto para meu país é uma ONG de origem chilena que realiza trabalhos em comunidades carentes. O grupo de voluntários é formado principalmente por universitários que participam e organizam todas as etapas desde o projeto das casas e a escolha das famílias beneficiadas até a busca de doações.

 

O momento mais esperado pelos voluntários é a construção das casas na favela. A última ocorreu do dia 10 a 13 de julho. Após meses de entrevistas com a comunidade selecionada, a favela Projecta; 10 famílias, consideradas as mais necessitadas, foram escolhidas para receber a nova casa.

 

As casas são de madeira e tem vida útil de cinco anos, pois a idéia não é fazer com que a pessoa se acomode, mas que ela ajude a pessoa a mudar. Assim, é cobrada da família uma taxa simbólica de 120 reais (sendo que ela custa, na verdade, pouco mais de 4 mil reais), também como forma de fazê-la sentir-se interagida com a construção. Por serem pré-fabricadas elas possuem, na teoria, uma medida fixa de 3m X 6m, mas que pode ser alterada de acordo com o tamanho do terreno disponível. Os painéis de madeira que formam a parede chegam prontos, mas o piso é feito por tábuas de madeira e a cobertura é formada por telhas. A casa fica sobre pilotis, cerca de 40 cm elevados do solo, para prevenir enchentes. Eles são os mais demorados de se montar, levando, em geral, um dia e uma manhã.

 

Toda a construção é feita pelos universitários nos três dias de construção. Nesses dias, os voluntários dormiram em uma escola estadual infantil, onde tomavam o café-da-manhã e jantavam. O almoço ocorria na favela. Chega-se à favela as oito da manha e fica-se até o sol se pôr. Cada casa é feita por uma equipe com 8 voluntários, mas não raro algum grupo precisa abrir mão de algumas pessoas para a área de logística (descarregar materiais) ou para a intendência (cozinhar e limpar a escola). Na escola, as tarefas, como limpar banheiros, cozinhar e acordar os voluntários são dividas entre as equipes. Há dinâmicas de grupo que ajudam os voluntários a conhecer uns aos outros. A divisão dos grupos também é planejada de forma a dividir os grupos de amigos, fazendo com que todos se interajam. É uma grande experiência, primeiro por ter a chance de entrar em contato com uma comunidade muito unida e muito receptiva que está sempre pronta a ajudar na construção e a acolher e mimar os voluntários. Segundo, o contato com essa realidade miserável abre os olhos dos voluntários. Além do que, tem-se a chance e a experiência única de participar de cada etapa da construção de uma casa e no fim poder inaugurar e entregá-la à família emocionada, o que é muito gratificante.”